NUNCA SE CONSEGUE TER DEMAIS DAQUILO QUE REALMENTE NÃO SE NECESSITA

A sociedade está organizada sobre o principio de que ter é “poder”. Será mesmo verdade?
Vivemos na sociedade do consumo. Nosso maior objetivo na vida é comprar o máximo de coisas possíveis, o mais caras possíveis no espaço mais curto de tempo. Você pode pensar..."Isso é exagero!". Pode até ser, mas a maioria das pessoas tem dentro de si aqueles desejos insatisfeitos... os tão famosos “sonhos de consumo”. Daí ser tão comum a brincadeira de ficar imaginando “o que eu faria se ganhasse na loteria...? Ah, compraria um carrão!/ um computador turninado/ um apartamento/ renovaria o guarda-roupa...”
Vinicius, um adolescente de classe média, admite que desconta nas pessoas mais próximas a raiva por não poder fazer e ter tudo o que quer. “Nesse momento, só penso em ter as coisas que eu quero. Sinto ciúmes do meu irmão e acabo estourando com ele. Acho que ele ganha muito mais coisas do que eu na idade dele” contou ele para a repórter do Patrola (sessão do jornal Zero Hora) dessa semana.
Os maiores sofredores do mal de “não ter nunca o suficiente” são os adolescentes. Eles que ficam assistindo televisão e se preocupam em copiar os figurinos dos atores de Malhação. A roupa, os sapatos, tênis e acessórios - como os atuais mp3s - são os critérios de avaliação para se calcular o valor de alguém. A partir do poder aquisitivo o pré-adultos se subdividem em grupos e são dignos ou não de certas amizades. Sua vida social inteira gira em torno daquilo que exibem.
Eles são os maiores sofredores, mas é claro que existem alguns adultos que nada mais são do que adolescentes um pouco mais velhos. Os acessórios agora são carros, terrenos, casas na praia. “Eu tenho um negócio próprio”, “Eu fui promovido”... a proporção muda, mas o princípio é o mesmo... “sou aquilo que tenho”. O mais engraçado é que tanto adolescentes como adultos nunca foram tão infelizes. Em Caxias do Sul, jovenzinhos ricos andam se atirando pela janela e adultos bem-suscedidos são dominados por depressão. Por quê? Existe uma frase antiga - bem velha mesmo - que diz o seguinte: “O dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar”. Será...?
Isso não significa é claro que todos os ricos do mundo são infelizes, mas que a maioria dos que eu conheci são, ah, isso é verdade!
Acho que a oferta da mídia e da sociedade capitalista, da felicidade comprada não é muito verdadeira. Existe algo mais que as pessoas não estão conseguindo encontrar e que não está sendo suprido pelo dinheiro. E é necessário buscar esse “algo mais”. É preciso parar de acreditar nessa história de que “vencer na vida é fazem um bom pé-de-meia” porque no fim todo mundo (se atirando das janelas ou não) morre e não leva nada consigo. Para que então gastar uma vida inteira construindo coias inúteis? As atenções precisam ser redirecionadas, para que talvez, a tão almejada felicidade seja enfim encontrada pelo homem. Bono Vox (U2) explica na música Beautiful Day: “Aquilo que você não tem é porque não precisa agora”. Então ao invés de desesperarmo-nos por aquilo que não temos, poderíamos concentrar esforços em tentar encontrar o que realmente precisamos...
Escrito por Carol pierosan às 14h50
[]
[envie esta mensagem]
|