PÂNICO NA MADRUGADA

OS DOIS IRMÃOS...
Dois irmãos esgueiram-se no escuro. Eles seguram a corda, que conseguiram roubar de uma construção inacabada, onde estão escondidos. Eles prendem a corda na chaminé da casa da frente e penduram-se muro abaixo... descem pelo telhado da casa até alcançar o pátio. Os cachorros correm latindo. Dois cães grandes, negros, assustadores. Mas eles já os conhecem. Chamam pelo nome... “Mike! Laila...! Temos um lanche pra vocês” e atraem os animais até o canil da casa. Lá eles lhes entregam pedaços de carne crua e os prendem.
O pátio estava escuro. Todas as luzes apagadas. Provavelmente não havia ninguém em casa. Um dos lugares da garagem estava vago. Os moradores deviam estar viajando...Os irmãos dirigiram-se silenciosamente até o quarto de ferramentas. Abriram a porta... acenderam a luz. E esse foi o seu primeiro erro...
No quarto de ferramentas encontraram tudo o que precisavam e começaram a operação “desarma alarme”. Arrancaram fios... sensores, sirenes... arrumaram uma escada de madeira no muro dos fundos da casa para facilitar o acesso dos outros. O próximo passo seria arrancar a caixa de alta tensão que controlava a cerca elétrica... e esse foi o segundo e principal erro.
AAAAAAAAAAAAAÉ´´EEÉÁÁÁÁÁ´´IIIIIIÓÓÓÓÓÓPIPIPIPIPIPIPPI
O alarme dispara. As luzes da casa começam a se acender.
Escrito por Carol pierosan às 23h31
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AS IRMÃS...
3 horas da manhã, e a garota ainda estava sentada na frente do computador, tentando matar a saudade e diminuir a distância entre eles...
“Estou com medo – confidencia ela – estou ouvindo uns barulhos estranos...”
“Não deve ser nada – tranqüiliza ele - você sabe que sua casa é meio sinistra.”
“É verdade... – concorda ela – vou dormir” e cuidadosamente coloca o estojo dos óculos na maçaneta. “ Caso alguém abra a porta, eu vou ouvir...” pensa enquanto vai se deitar.
No quarto ao lado, outra garota dormia. Estava cansada, mergulhada em um sono pesado...
AAAAAAAAAAAAAÉ´´EEÉÁÁÁÁÁ´´IIIIIIÓÓÓÓÓÓPIPIPIPIPIPIPPI
O alarme dispara.
“A não, de novo não... não deve ser nada” pensa ela e levanta-se para dar fim ao barulho ensurdecedor... “O alarme sempre dispara a toa...”. A moça da central de atendimento de segurança privada liga para verificar se esta tudo bem...
“Não sei” responde a irmã mais velha, enquanto olha pela janela.
“Tem uma luz acesa no quarto de ferramentas, acho que tem alguém no pátio...”
BUM, BUM, BUM, alguém bate na porta.

“É a polícia”
Escrito por Carol pierosan às 23h31
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A garota se apavora.
“Por favor eles estão batendo na porta dizendo que é a polícia!”
“Não abre! – adverte a telefonista - A patrulha já está chegando...
A garota tranca melhor a porta, tranca a porta da cozinha e entra casa adentro ao encontro da irmã mais nova, que treme, com o celular na mão.
“Você quer que eu ligue para os vizinhos...?”
“SIM! LIGA”
BUM!

A porta é arrombada. As duas correm para o quarto dos pais e trancam a porta. Em seguida entram no banheiro da suíte e também trancam a porta.
“Moça por favor, eles entraram em casa. Ligue para a polícia”
“Sim a polícia já está chegando”
“Moça por favor a gente ta sozinha em casa trancada no banheiro, eles vão nos achar....”
“Calma garota... “
TU TU TU...
... 1 – 9 - 0...
“Alô! Polícia? Tem gente na minha casa! Eles arrombaram a porta, eles vão achar a gente, eu e a minha irmã estamos sozinhas... por favor!”
“Sim, já foram encaminhadas viaturas... fica calma”
“não moça, fica comigo na linha...”
Escrito por Carol pierosan às 23h30
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A viatura de segurança privada chegou na casa e rendeu o homem que estava parado no portão. “Eu não estava fazendo nada...” afirmava ele. A polícia civil chegou alguns minutos depois e encontrou outro homem andando no terreno baldio ao lado da casa. Ele também foi rendido. Os policiais cortaram a cerca elétrica para poderem pular o muro e encontraram a porta dos fundos arrombada. Foram entrando até encontrarem a porta do quarto trancada, atrás da qual estavam as duas irmãs apavoradas. Elas ainda resistiram em abrir a porta, porque os bandidos já haviam mentido que eram policiais... Por fim, a porta foi aberta e os policiais encontraram as duas irmãs tremendo, descabeladas e de pijamas.
MEDO
Depois de saírem da casa cercadas por policiais, as irmãs foram parar no portão já aberto e puderam ver ali, rendidos no chão, os dois irmãos.
Um deles é presidiário e tinha recebido permissão para passar o final de semana em casa. O outro já havia sido detido mais de sessenta vezes...
Eles estavam sujos, maltrapilhos, algemados e esticados no chão...
A irmã mais velha não conseguia parar de pensar no que poderia ter acontecido se eles tivessem conseguido pegá-las... se o alarme não tivesse disparado, se elas não tivessem acordado, se não tivessem conseguido se trancarem juntas... se estivessem sem telefone..SE...
“o que poderia ter acontecido com a minha irmã...? Deus muito obrigada...!”
Escrito por Carol pierosan às 23h29
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PARADOXO ... IRONIA
Mas ela também não conseguia parar de pensar nos dois irmãos ali estirados no chão. Dois irmãos contra duas irmãs. O que será que já tinha acontecido na vida deles? O que será que seriam capazes de fazer com elas? Porque é que elas estavam ali, defendidas, protegidas, depois de terem sido encurraladas na sua casa grande e bonita, toda cercada e equipada com alarmes... e eles querendo entrar nessa casa. Nessa casa que não era deles.
Será que eles têm casa?
Um irmão querendo “proteger” o outro...
Ela ficou triste.
Ficou triste por eles estarem ali estirados no chão. Por estarem sendo escarnecidos pelos policiais, que riam da mediocridade de seus atos...
“ São uns demônios” acusavam acusavam os policiais. E ela não duvidou nada de que os demônios estivessem mesmo na companhia dos irmãos.
Durante todo o tempo na delegacia ficou pensando nisso. Na diferença entre eles... na desigualdade social... na tristeza que o medo e a violência causam... e olhava pra sua irmã. Tão linda...!
E pensava nos irmãos ... nojentos, sujos, fedidos, espancados, humilhados, ladrões... com pena, com revolta... chorou de alívio.
Chorou de tristeza e de indignação por viver num mundo que dificilmente ela conseguiria mudar...
...
Isso aconteceu mesmo comigo e com a Louise na madrugada desse domingo. Agradeçam a Deus por ter nos protegido... estou até agora com o peito apertado por tudo isso. Foi um susto muito grande! Achei legal escrever assim e tentar transmitir mesmo tudo o que sentimos.
Mais do que ficar com raiva, mais do que se revoltar... é necessário pensar na ironia desse mundo... da nossa sociedade podre...
Escrito por Carol pierosan às 23h29
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