LUTO

Hoje foi o enterro dele, do meu primeiro e único amor...
Morreu velho e cansado
Morreu, de velhice, mas morreu sem dor
Era desses amores inocentes
Que nascem de amizade,
Que crescem com a saudade
E que se fortalecem jurando fidelidade...
E era sim fiel!
Era sério, esse amor...
Desses que te faz andar de olhos fixos na rua,
Para nem correr o risco de ver...alguém bonito que porventura passar...
“Ninguém é mais belo do que o meu amor”
Era desses amores que carregam consigo mil lembranças
Que se apropriam de lugares, de músicas e até de estações...
O meu, falecido amor, gostava de chuva e de frio...
E como teimou esse amor...
Lutou com todas as forças, contra as circunstâncias e contra si mesmo
E foi morrer, nos braços frios da realidade...
Essa bruxa cruel que lhe roubou o ar
Lhe tirou a esperança e lhe esfregou na cara a verdade...
E desse querido grande amor que nobremente morreu,
Ficam o que de mais nobre têm os amores:
As vontades - de ser fiel, leal, de ser melhor e mais doce
Do falecido amor, fica o perdão de todos os rancores...
Escrito por Carol pierosan às 17h28
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