INEGÁVEL

inegável...

 

percepções de dias comuns...

Como é possivel olhar e não te ver? te ver e não te entender? te entender e não te amar? te amar e não te seguir? te seguir e não te obedecer? te obedecer e não ser transformado? ser transformado e não crescer...? crescer e não amar-te muito mais? e amando-te tão mais, não amar tudo ao meu redor?

Como é possível que eu simples mortal, julgue meus inimigos, se tu me amou dessa forma, sendo eu inimigo teu? e o mais vil e ingrato inimigo...?

Como, como posso querer qualquer coisa além de contemplar cada feito das tuas mãos?

E eu reclamo enquanto o inverno chega... reclamo da falta que o mar me faz e reclamo que o sol se vai... vou ficando com frio, com sono, com preguiça e imóvel... mas a verdade é que amo essas árvores e o ar gelado e amo essas nuvens que eu vejo melhor porque aqui o céu é azul.

      

 Obrigada porque eu posso te ver, porque eu posso, todos os dias estar com você, dirigindo... esperando o ônibus, com fome ou à mesa, só ou rodeada, com frio, ou embaixo de um monte de cobertores... tua presença faz a existência ser tão melhor... obrigada por tua amizade, que é a coisa mais preciosa, mais importante que eu tenho... a única na verdade... e obrigada pelos cenários que tu monta todos os dias para as minhas fotos... eu agradeço por todas as coisas... ou melhor, eu te peço um coração agradecido por todas as coisas... e procuro, reconhecer tua presença em todos os momentos, porque ela é escancarada diante dos meus olhos.

Todos os dias... todos os dias mesmo... as vezes quando fica frio por muito tempo, é difícil mesmo aceitar que tu queres tal tristeza, esse ou aquele momento de solidão... mas acho que isso faz parte do que é crescer diante de ti.

QUERO...

Aprender a estar "bem" em qualquer circunstância...

De tão grande amor há tanto para conhecer...

da tua reconfortante presença há tanto para se desfrutar... obrigada pela sanidade, obrigada, pela dor que me faz mudar, obrigada pelo tempo que passa... pela juventude que se perde, pela força que se vai... obrigada por lágrimas, obrigada por saudades... obrigada pelas perdas... obrigada por me deixar cair... porque assim eu aprendo a tropeçar menos... obrigada pela frustração... obrigada por destruir e reconstruir meu coração... melhor e mais forte...

e obrigada por esses cantos terrenos tão simples... onde existem bancos brancos embaixo de árvores amarelas... obrigada porque ás vezes eles estão vazios para que eu possa sentar e pensar... Te agradeço porque ás vezes eles estão lotados para que eu precise sentar no chão...

        

 Sentar no chão e sentir dor na bunda me faz lembrar que sou de carne... e fraco... que esse corpo que eu tanto prezo irá apodrecer um dia... cair... mofar e voltar ao pó, exatamente como as folhas amarelas das árvores que existem sobre os bancos brancos...

e quando todas as folhas tiverem caido... e eu tiver minha visão embaçada pela neblina... então me ajude a entender que é graças ao frio à humidade, e à escuridão, que posso saber quão preciosos são a luz, o calor e as cores... que é porque o mal existe, que posso escolher o certo, que é por sofrer que sei o que é me alegrar, que é pela carência que sei o quanto sifnifica um abraço... que é o silêncio que me faz amar a música... que é o calar que me faz falar melhor...que são os gritos que me fazem respeitar o manso, que é a raiva que faz do perdão minha defesa, que é a agressividade que me faz admirar a bondade... que é a "fraqueza" que me faz ser forte...

Se eu andar pelo vale das sombras da morte... até ali... tu me guiarás... tu sondas e conhece o meu coração... mesmo antes de eu falar... de pronunciar ou pensar em qualquer palavra... tu já a conheces bem... não existe passo meu que tu não protejas... e nada que se passa comigo é algo que me ferirá além do que eu possa suportar, ou que será pesado demais para que eu conceba, ou aprenda...

porque já vivi o suficiente para experimentar o amor e saber, que nada, nada mais preenche o vazio que é o meu interior... e o teu amor é maravilhoso, porque se manifesta de inúmeras formas... através das estações do ano... na risca que as ondas do mar deixam na areia da praia... nos cachos do meu cabelo... nos olhos grandes e coloridos de alguém... no cheiro da comida, no cheiro da roupa do meu melhor amigo... teu amor está nas tuas palavras.... palavras que alimentam o meu interior...

São tuas palavras que me dão vida... mais que o pão...teu amor é algo que não depende...da minha condição... de estar catando lixo - como estermina - ou estar me maquiando, como todas as meninas... não depende de quantos livros eu li esse ano e nem de qual foi o último livro que eu li... não depende de ser formado ou não, e nem da minha brilhante carreira profissional... não depende de ser alguém falido, deprimido ou rico e deprimido... não depende do meu sucesso relacional, e tampouco do meu casamento bem sucedido... não está atrelado ao fato de ser a melhor mãe, ou o melhor pai... ou o filho mais obediente,... não depende da minha própria incapacidade de demonstrar amor de uma forma descente.... 

 Nos silêncios te busco ... quase todos os dias... todas as manhãs em que tudo e principalmente eu mesmo pareço inútil, tu fala ao meu coração... que não existo para ser útil... mas existo simplesmente porque tu me ama. É essa a única e exclusiva razão, pela qual eu resolvo entrar no ônibus ... porque todas as outras coisas... todas as outras coisas que eu puder ter, passarão... menos o teu amor e a tua verdade... "seu eu falar a lingua dos homens e dos anjos e souber todos os mistérios e as ciências... e tiver dons como o de profetizar.... mas não tiver amor... eu nada serei"... e se eu só tiver amor...? tudo serei? será...mesmo? acho que sim...

o teu amor é loucura... é restauração total da decadência em que estão todos os seres sem ti... o teu amor, acima de todas as coisas, vem através dos seres que são semelhantes a ti... desses pequeninos bonecos, mais passageiros que as ervas do campo... que um dia nascem e outro morrem, toscos, como a deprimente neblina da manhã...

É incrível o poder que nos conferiste... de sermos amados e amarmos... de sermos um monte de cocô, mas ao mesmo tempo salvadores... de errarmos.. de errarmos muito e feio.... mas de com ínfimos e pequenos acertos, construirmos tanto...

quero me despir da vaidade, pra poder sorrir... com a cara amassada... o olho inchado de chorar... quero sorrir mesmo sendo feio, quero amar, mesmo sendo estúpido, quero perdoar mesmo estando dilacerado, quero falar mesmo sendo louco, quero retribuir tudo o que fez por mim... e o que fizeste por mim foi simplesmente isso... foi... tudo...

Foi me dar a vida sem que eu pedisse... foi me dar o ar, e os dias de sol e de nuvens... me dar as noites de chuva e de estrelas... foi me dar o mar e me fazer morar na serra (pra que eu gostasse ainda mais de mar) foi me fazer amar e perder... e perder... e perder... mas AINDA ASSIM quere amar de novo... foi me dar a Aline, o Léo, o Cris, o Coruja, a Ester, a Mari, a Cassi e o Dinni... Simone... o Dani e a Isa, a Gabi e a Geanni, e a Michele, e a Juli, Frã, Igor... e todos os nomes que para mim... são apenas palavras, vírgulas, pontos e acentos, que escrevem a poesia do teu amor... não há nada como tu...!

      



Escrito por Carol pierosan às 00h13
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