Buscando os Castelos de Pedra
Saimos de Caxias do Sul por volta do meio dia e depois de percorrer aproximadamente 120 km, entramos na estrada de chão em direção à Serra do Faxinal, que dá acesso ao Parque Nacional de aparados da Serra, onde está o Itaimbezinho. O percurso é tortuoso, cheio de pedras grandes e muito barro. É preciso ter cuidado para não furar pneus (o que é bem comum) ou comprometer a mecânica de carro e atrasar a viagem. A velocidade possível nessa estrada varia entre 20 a 30 km/h. O sol brilhou até a entrada da estrada de chão, o que nos deu tranquilidade e alimentou expectativas de boa visibilidade do cânion. Ao aproximarmo-nos mais da entrada da reserva, fomos supreendidos pela neblina que sutilmente nos foi envolvendo até praticamente não conseguirmos mais ver. Esse tipo de manifestação natural, conhece bem quem mora no Rio Grande do Sul e sabe que a umidade do ar se torna tão densa que é como se houvessem baixado uma cortina branca na frente do caminho. A decepção tomou conta de todos. Precisamos diminuir ainda mais a velocidade, porque a visibilidade era praticamente zero. Alcançamos a entrada da reserva. Ao perguntarmos a respeito do clima para o pessoal que trabalha na bilheteria do Parque Nacional a decepção aumentou. "Hoje não vai dar pra ver nada" disseram. Ficamos na dúvida entre entrar ou não, mas concluímos que já havíamos chegado até ali e iríamos encarar a paisagem com neblina mesmo. Começamos visitando o pequeno museu onde há uma maquete dos cânios (inclusive do Cânion de Serra Negra). As funcionárias da reserva falaram sobre o relevo do local. O Parque Nacional de Aparados da Serra tem uma área de 10.250 ha e abriga o Cânion do Itaimbezinho, com cerca de 5,8 Km de extensão e paredões extremamente verticalizados, com até 720 metros de profundidade, nos quais se lança o Arroio Perdizes em uma cascata de cerca de 200 metros. Esse parque conta com infra-estrutura disponibilizada pelo IBAMA, incluindo cerca de 8,5 Km de trilhas demarcadas e acessíveis com guias credenciados. No seu limite está ainda o cânion do Faxinalzinho. No museu pudemos ver fotos da reserva também. Mas como queríamos tirar as nossas próprias, escolhemos a trilha mais curta: A Trilha do Cotovelo, que se leva 40 minutos para percorrer. Ela passa pelo meio da mata virgem, onde se pode observar, desde árvores de tronco grosso, até arbustos e gramíneas. As árvores retorcidas, com cipós e musgos mergulhadas em neblina, armavam um cenário sinistro. A quantidade de teias de aranha era incrível e a humidade acumulava nelas gotinhas que pareciam cristal. Não podíamos ver absolutamente nada do Cânion, mas podíamos ter uma idéia do que estava ali por causa do som da queda d´água da cascata do Arroio das Perdizes. Por causa do frio, precisamos recorrer aos nossos casacos. Por volta das 16h30min, o sol começou a brilhar com mais força. Olhamos com esperança para o céu e percebemos que a neblina se dissipava. Corremos para o mirador e ficamos torcendo para que ela saísse completamente. Não poderíamos ter assistido espetáculo melhor! A neblina dançava sob o calor dos raios do sol. O vento a soprava para fora do cânion. E pouco a pouco foi-se abrindo a fenda...diante de nós, descortinaram-se os cerca de 700m de Cânion. A planície parece ter sido rasgada ao meio. No topo, pode-se ver o campo e as araucárias e a fenda expõe rochas brancas e negras, com pequenos arbustos que tentam vingar no meio de pedras. Pudemos ver a cachoeira de cerca de 200 m formada pela queda do arroio das Perdizes - que antes apenas ouviamos - tranformar-se lá no fundo da fenda em um riacho fino. O Itaimbezinho parece um grande salão de dança para os passarinhos, que voam em bando na boca do vale e mergulham até o fundo, como se estivesse lançando-se à àgua, para em seguida subir novamente e voltar ao topo. Aos poucos, a neblina dissipou-se completamente. O Cânion escancarado à nossa frente, imponente, nos fez sentir toda a força e energia daquele lugar. Nos sentamos para contemplá-lo e para esperar o pôr-do-sol que dava sinais de que a hora se aproximava. Ficamos em silêncio observando a fenda, a cachoeira, os pássaros em seus mergulhos no ar e o sol que pouco a pouco se escondia atrás dos montes. O espetáculo foi esplendoroso. A reserva Nacional dos Aparados da Serra recebe turistas de todo o Brasil e de países vizinhos. "Eu não imaginava que existiam paisagens como essa aqui no Brasil" exclamava Isaque Sicsú, turista de São Paulo. "Que lugar maravilhoso, me faz lembrar o Grand Canion dos Estados Unidos, mas é ainda mais lindo por causa da mistura das araucárias e dos campos gaúchos. Maravilhoso!" exclamava. Partimos com a convicção de que a região dos Aparados da Serra é destino obrigatório para todos os gaúchos. Quem mora no Rio Grande do Sul não pode deixar de visitar esse que é, com certeza, um dos locais mais lindos do Brasil.
APARADOS DA SERRA A EXUBERANTE BELEZA DOS CÂNIOS
Há cerca de 150 Km de Caxias, na região nordeste do estado, encontram-se as paisagens selvagens dos Aparados da Serra. Situados no meio dos pampas gaúchos, os cânios escavados no planato vulcânico da Serra deslumbram com a beleza selvagem das suas fendas naturais de até 1000 m acima do nível do mar. Itaimbezinho e Fortaleza são os principais cânios da Serra Geral e encontram-se em reservas nacionais do nosso estado. Eles fazem da região um dos pólos turísticos de maior expressão do País. O precioso escossistema do local e sua preservação motivaram a criação de dois Parques Nacionais: o primeiro fundado em 1959 - Parque Nacional de Aparados da Serra - e o segundo, em 1992 - Parque Nacional da Serra Geral. As reservas são administradas pelo IBAMA que tem como objetivo a preservação da flora e fauna das paisagens. A cobertura vegetal predominante é caracterizada pela transição dos Campos de Cima da Serra, em planalto ondulado com suaves coxilhas e vales rasos, para a Floresta Pluvial Atlântica. Ocorre ainda de modo característico na região a Floresta com araucária, cujos pinheiros simbolizam notavelmente todo o planalto da Bacia do Paraná. A fauna da região reúne espécies raras, entre as quais mamíferos de grande porte como o lobo-guará, a suçurana e o veado-campeiro, além de aves ameaçadas de extinção como o gavião-pato e a águia-cinzenta. O clima na região dos Aparados da Serra é temperado, com média anual em torno de 18º a 20ºC, com mínimas atingindo a -10º nos períodos de maior frio - meses de junho e julho.
Escrito por Carol pierosan às 12h11
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